~






















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PASS~ AGEM - AR~ AGEM

[ ARDE - DOR - PASTA - COR


] ONDE TAMBÉM RIMA DANTE

S

AMAR

~ELO - VER D

I

A M O R














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? como dizer-te que me
par to
na biologia metalizada
dos aviões

) pa ra da no ar



? como dizer-te que me par
to
na quilha perfurante
das aves

) no lo n ge pol ar
















~






baptismo















Os mais difíceis poemas onde falo de amor
são aqueles em que o amor contempla.

O amor esquece ao contemplar,
esquece que não existe e encantado olha
um raio anónimo sob o vento mais leve.

Contempla, amor, contempla.
E vai criando o nome que darás ao raio.










[ Jorge de Sena, Coroa da Terra , alterado













~





[ sim, eu às vezes sou um comboio atrasado















de madrugada







entre rugas e desertos de alecrim e

estações estilhaçadas pela subida das águas

desfilam bocas de um peixe incendiário





longe



linha quase trepadeira


avermelhando lenta a cintura da árvore

assim-assim-perseguições [ grito-a-sonhar


e patinam correm rasgam mordem como leões

folhas que falo























~











também eu sonhei contigo

[ não três nem seis

foram sete-as-noites-de-estrelas-seguidas

desceras ao fundo do poço vazio

onde a nossa filha tinha adormecido

] no preciso fio onde a palha luz

se nos diluía

dali

do sol após sol da noite após dia

a cada menina chamas

margarida

] nos dentes seguras continhas de vidro

berços que brincavas peninhas de riso

historinhas de ninho

e a todas cantando por dentro-de-mim assim

respond ias:



~










alter acção










em janeiro dobramos a cabeça finada


aos pés que atravessam


as esquinas cegas de sangrar os dedos


à raiz da carne


arranhando a parede da magnólia gelada




e vamos sonambulamente [ bonés sem cabeça

os pés pelo avesso percorrendo a estrada



] regressados a casa revestimos a solene nudez


da eterna posição inicial


atravessando icebergs da memória


os olhos muito fechados [ contraindo bicicletas e remos


subscritas resignações e vagas afinidades


os corpos correndo alarmados gestos


] recusando a combustão do sândalo lento

recusando

o grito que oferece o vento







.











.





~




barca d´alva






também

sobre o homem que dorme na ponte parada

todas as línguas se

reduzem a nada e porém volta e volta o homem

a boca-de-peixe-aberta instalada

sobre a face que dorme e se escava

a olhar nos olhos de vidro pessoas-janela

[ esqueletos em carros que afasta lá-dentro esfumados

] estação-fronteiriça sem porta de entrada

ecoa no fundo um silvo agudado

[ ai, sobre o pequeno homem-da-barca cristalizado





atravessa-os-dias o ouro tumular do rio-nada

caem domingos gelados patos bravos estranhos

levitando passagens

sobre o homem morto-quase-morto-embora

as margens nos bolsos respirem caladas

o menino que vive desde sempre acordado

pergunta dos outros e assim se aflui ao escuro do côa

[ a restos-nunca-tecidos gravuras-paleolizadas

ofertando a quem passa mais nu o desejo primeiro

do seu brilho ártico

o mais duro ocre atado a venenos vários

] fios-de-ovos sanguessugas arroz-acre e

rabanadas








.

~






Alinhar ao centro



no percurso das línguas vivas

as palavras sobram caladas-nevadas

] rente s ao rio

águias e grifos [ e a primeira lágrima

que rimos,

inacessíveis como penhascos






.




~







este homem gosta de mulheres-rosa! - diz anabela,

clandestina-de-si

ali-parada.

ele diz repetidamente meio a sorrir

[ só a brincar!! - repete, só a brincar

que é muito feia

,e é bem possível que tenha razão,

embora

ignore-porque-repete,

[ anabela é uma pedra-parada

a ganhar raízes escuras - contornos claros,

sendo também a mulher que bate contra as portas.

suspendendo por vezes [ a si ] na ilusão de janelas

,a bernardo, nunca disse se o achava feio ou belo

bate anabela, contra as portas da rua,

ouve os comboios que se atrasam - enferrujados,

aterrados em desterros e túneis inominados,

atravessa prateleiras a encurtar

marchas

electrocuta-se vaga no fogão desligado,

passa os olhos em yann andréa - porquê?

,música

a prescrutar tão-depressa

,na-da e

o mais intransportável: ei-la: a palavra

que se lhe fecha em rosa e borboleta,

da borboleta voando ao nó da tarde

donde estrangula enxota e pica e arde,

fazendo-se feia sem nenhum esforço

] e porém sem sarcasmo [

pra lhe fazer a vontade

deixando-o livre quanto creia na ilusão da procura

exaustiva e-terna e

tatuada

de toda a beleza im]possível - normal e codificada,,,









.



~





monstro s





era uma mulher
que estranhamente vivia

em si

entrava e saía do seu ovo


ora muito feliz
ora pouco infeliz

] e não menos
es tra nha mente

este poema é só assim
assim-apenas

[ somente as sim

e

acaba mesmo subita mente
sai a mulher

acaba aqui
segura o ovo
acaba

em pi




[ foto de helmut newton







~









não sei que responda à casa

que se multiplica

extradita dilata

[ eu quero e porém não sei ainda




que responda

ao sagrado horror da casa

que se espalha do rosto

fogo imóvel no estendal

do rosto à orelha fechada


nariz algemado a
peixe de barro


] que se move a pulso

incandescendo bocas cor de incenso

[ da mão ao osso do osso ao mais-por-dentro

e de novo trama casa escama instala




cava curva-veia cava











~



saisnã - repes ]]











li uns poemas duma mulher que espera eternamente
um homem que não conhece
os poemas duram há anos e são quase todos iguais
alinham-se como um longo exílio
multiplicando-se [ calados

ela chama-lhe meu amor [ que como se sabe
em todas as línguas se diz mi amor


(( mi amor miamormiamor r r r r r r r



o homem afirma que a mulher não o conhece
e assim parecem um livro de duras ou de yourcenar

diz ele que nunca se viram nem faz ideia

a mulher faz crer que sim em tudo o que escreve
sobre a margem passados - esboços de preia-mar

] é muito intrigante e algo inquietante
como um cravo espetado em olho nu
ou pé de rosa
ou livro d´horas

[ como orquídea vermelha crescendo
por dentro do estrangeiro no peito de
camus

como voo inusitado numa só asa,

















~








[ tendo em conta:


a preocupação generalizada com os crocodilos


os sérios problemas da bicharada doméstica


relatados ao vivo pelo meu amigo legível


as ideias culinárias da minha amiga arábica

bem capaz de se pôr a caminho do animal,

[ com a fatal- as we know, vinha d´alhos!!!

o daltonismo-mirambolante do meu amigo ruela,

[ coisa bem rara nele,

e outras coisas igualmente perigosas e bizarras

que por aí li

vou agora no tapete ondulante deste deserto


[ vague-vague, va la nave,


nas miragens sem pontos cardeais

nos ventos que cruxificam e aliviam

lua vermelha ][ vermelha-lua


e sim, que sejam e ouçam devagar

de va ga ri nho, ainda,




<










~




~





parfois, la-nave-va [

parfois-la-nave-va-pas ]







estive muito tempo na floresta a brincar com

os crocodilos

não me parece que isto interesse a alguém, bem,

mas sim, assim foi: na ponta dos pés, pela esquerda,


havia uma ave que não vinha todos os dias


emudecíamos a olhar as plantas

muitas plantas: havia papoilas, orégãos e até daquelas que

comiam insectos

nada escrevemos senão com pauzinhos na areia

que o vento apagava

que a água bebia

que a luz murmurava


atravessávamos o crocodilo com-cuidado quando ele dormia


e usávamos um estranho código quando acordava

pensávamos pouco como se vivêssemos eternamente na cabeça de

alberto caeiro

e daí as vagas palavras incompletas

lembro que uma vez dissemos pa ra li sia outra flo res cer

e talvez outra vez tenhamos dito si me tria

por vezes sonhávamos juntos com as divas e as loucuras boas de fellini

com girassóis imensos - uma vez sonhei com mo ran gos

e dis seste de va gar mo ran gos

tudo isto era ao mesmo tempo encantador e

pantanoso

e aos poucos soubemos que o que era importante era

não-ver e arder-biblicamente

[ estar, enfim, sem permanecer



e voar-voar-infinitamente a cada travessia

até serenamente tudo-não-ser: tudo-perder-tudo-renascer do dia















~






também nunca vi o mar


assim


] nem um pássaro tão




impossível



como o que escolhi


[ nunca o vi.




voou em mim? nem sei - nem sei - só sei que



esse tempo acabou




nada me resta na mão
vazia e


agora-assim


[ indo-vou




) vou-indo ~






.


~


este vídeo é especificamente dedicado

aos que não o verão, assim,

aos que não têm tempo

de parar, abrir, olhar e ver

aos mais impacientes, portanto,

aos que não podem perder tempo

] e correm muito dentro de si e chegam sempre :)

[ creio no feito-efeito das coisas invisíveis ]

e depois, aos outros, os que aqui

vêm, os que dormem e vivem e são

no meu coração

[ muito além de um nome inventado.

a todos, portanto, a todos, muito-mais-que-obrigada :)

,voltar aqui, procuro sentir se não, se sim,

embora este tempo

seja para mim,

] um tempo de parar e contar pedras

decantar sons, deixar as flores beber

as amoras amadurar, as águias adormecer no ar,

deixar o vento e o sol ] talvez a chuva, entrar

um tempo de me desprender de mim, também,

? serei capaz agora de criar uma mão-cheia de vazio

um corpo de leveza que se mova-cata-vento :)

um tempo de não-ter-que-ser nada nem alguém,

? farol perdido num cabo de mistério,

casa- árvore, rio interior, erva de nascer

) amora-vermelha, aqui-além,


















~


~




~







*


*


*

.



~










Como partir










Com a leveza de saber que nada faz sentido
nem se chega, passa-se
e é passando que se vive, e se morre

Com a agudeza de uma lágrima
mergulhando no fundo de uma gota
lavando o que já se foi

Com um sorriso brando e sereno
aos quarenta e seis do segundo tempo
com muita calma, tanto ainda por acontecer

Com as mãos entrelaçadas no bolso do casaco
caminhando com um vento frio no rosto
sozinhos, sempre, lado-a-lado











[ poema de ricardo rech






.

~



















[ a hundred is enough, a hun dred star s zzzzzzzz ~


~ das unsägliche geht, leise gesagt, übers Land: schon is Mittag
~ o indizível passa, sussurando sobre esta terra: já é meio-dia
~ what i mean what i mean i´m asking exactly what i m e a n,









~ thanks /t ,
~ thanks to i. bachmann, m. nyman, p. greenaway







~



~




~


[ arit - linhas - aif ]












~










( ... )



((( com a oitava

íris sem arco

afoga rio s

empilha pedra s



arrasta porta s



)) afaga morte s





.

~



alma ~ s









com a primeira colhe

com a segunda
a ~guarda

com a terceira

ca

la




.

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Luci Lu

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